CRÍTICA: A Maldição da Residência Hill


por Ana Lívia 

‘A Assombração da Casa da Colina’, escrito por Shirley Jackson em 1959 é um dos livros de terror psicológico mais famosos da literatura. Recentemente, serviu de inspiração para a construção da nova série de Netflix, A maldição da Residência Hill, recentemente renovada para uma segunda temporada. 
 
Na série, somos chamados a acompanhar a história da Família Crain. Cinco irmãos (Eleanor, Shirley, Theodora, Luke e Steven) que viveram na casa assombrada mais famosos dos Estados Unidos tentam, na vida adulta, lidar com os eventos resultantes dessa experiência traumática. A direção fica a cargo de Mike Flanagan (Hush: a morte ouve; Jogo Perigoso).
 
"Em seu interior, as paredes continuam de pé, os tijolos se unem em simetria, o assoalho é firme e as portas estão fechadas. O silêncio repousa soberano sobre madeira e pedra da Residência Hill. E os que andam por lá... andam juntos."

Assim como no livro de Jackson, a série traz uma construção gradativa do terror sobrenatural e psicológico, embasada no medo e em outros elementos como o imaginário e o fantástico, partindo unicamente da percepção dos personagens e de suas experiências e relatos. As dores, a angustia, os vícios, o abandono, são temas que orbitam na trama. 
 
A imersão no drama familiar nos leva a mergulhar em todos os horrores que cada um dos personagens carrega. Seus temores são transferidos para quem assiste, através de uma narrativa não linear dos acontecimentos sombrios que levaram a família até a “última noite”. Na tela, podemos ver a família Crain sucumbir as artimanhas de uma casa cheia de segredo e horrores, sucumbindo também a eles mesmos. 
 
É possível acompanhar os personagens perdendo a percepção da realidade pouco a pouco, sem perceber as artimanhas e armadilhas da Residência Hill, que parece se alimentar da personalidade de cada um deles, especialmente da mãe, Olivia e dos gêmeos – Eleanor e Luke.
 
 
Flanagan traz uma obra que brinca também com o imaginário do telespectador. Cena após cena, ele precisa lidar com aparições de formas estranhas, quadros, cenários perturbadores, além de outros elementos usuais do terror, fazendo com que quem assiste também questione a realidade e tenha que decidir sobre as verdades que são colocadas em cena. Sentindo, assim como os irmãos Crain, uma influência sinistra da casa.

O clima sombrio e melancólico nos leva a um drama familiar impulsionado por elementos sobrenaturais e psicológicos; transformando todos os passos dos personagens em evento inquietantes até a revelação final. Os problemas emocionais e psicológicos da matriarca da família, a omissão do pai frente a essas questões, os efeitos gerados nos filhos são os pontos principais para a construção da história. O terror gira em torno desse enfraquecimento dos laços familiares e todos os horrores que podem ser gerados pelo abandono. Está além dos jumpscares.

A série empresta vários elementos do livro de Jackson e, mesmo trazendo uma história completamente repaginada, sabe construir o terror psicológico gradual e destruidor presente no livro, no qual cada palavra, objeto ou ação importam e são determinantes para o destino daqueles que habitam a Residência Hill. O drama familiar e a construção do terror psicológico nos pequenos atos transformam A Maldição da Residência Hill em uma das melhores obras de terror atualmente. E, às vezes, os fantasmas e os demônios estão em nós mesmos.

A Maldição da Residência Hill está disponível na Netflix e tem em torrent no nosso site, aqui!


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