Resenha: O Rei Amarelo em Quadrinhos



por Júlia Recieri

Como você bem sabe, caro leitor, nós - do filme-c - nunca perdemos a oportunidade de divulgar e enaltecer o que existe de melhor no cenário brasileiro. Sendo assim, não é de se espantar que a dica da vez seja brasileiríssima.

Recentemente, realizando minhas pesquisas para desenvolver este texto, descobri que O Rei de Amarelo, obra de Robert W. Chambers publicada em 1895, só fora redescoberta após o sucesso da série True Detective (que você encontra aqui para download). Imagino que mesmo sem saber, mesmo até sem ter assistido à série, o seu hype tenha influenciado o meu conhecimento sobre a obra. Lembro-me de tê-la encomendado tão logo o primeiro contato e tão logo estava com o livro em mãos, a ânsia para lê-lo me consumiu. Esta mesma ânsia envolta numa curiosidade insana me levou a consumir os quatro contos que constituem a obra com tamanha voracidade a ponto de me levar à loucura. Pode parecer exagero, mas é isso o que Chambers faz: ele te instiga, te leva ao desejo. Qual é o mistério por trás do livro? Quem é o Rei? Como chegar à Carcosa? E isso tudo aconteceu novamente quando tive o primeiro contato com os quadrinhos. 

Cada conto carrega suas referências e detalhes que apenas um leitor conhecedor das histórias sombrias deste mundo será capaz de enxergar. Tempos e cenários distintos elevam o nosso imaginário, como em Fantasmas na Máquina, o primeiro conto da coleção, que nos leva para um contexto bastante real para nós e apresenta bem um drama tão conhecido: a busca pela perfeição nas redes sociais a fim de encobrir toda a amargura da vida real. Já em O Rei dos Ratos, temos o porto de Santos como se pode lembrar através das fotos em preto e branco, envolta numa história sombria sobre uma possível peste. Temos também Edgar Allan Poe e o mistério de sua morte e uma nova versão de Chapeuzinho Vermelho

Em alguns contos, a "mitologia amarela" é apresentada de maneira explícita através de seus principais elementos: o livro, o símbolo amarelo, Carcosa, o próprio Rei e Hastur. Em outros casos, ela é apenas sentida através do comportamento de seus personagens ou pode ser encontrada em elementos escondidos ao longo da história, como o quadro do menino chorando (que, para quem não sabe, carrega uma maldição) de Giovanni Bragolin, em Maldita Rotina.

Publicada em 2015 pela editora Draco como parte da trilogia As Cores do Horror, O Rei Amarelo em quadrinhos contou com 14 quadrinistas brasileiros sob a curadoria de Raphael Fernandes para dar vida aos oito contos inspirados na obra de Robert W. Chambers. A adaptação proporciona o terror mesmo àqueles que ainda não tiveram contato com o livro, permitindo ao leitor sentir a sua influência nefasta e insana.

Tenebrosa, tétrica e brasileira: O Rei Amarelo em Quadrinhos é leitura obrigatória para os amantes da nona arte.

Título original: O Rei Amarelo em Quadrinhos
Organização: Raphael Fernandes
Ano da edição: 2015
Número de páginas: 164
Editora: Draco


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