Crítica: Sharp Objects


Por Ana Lívia
 
Em Objetos Cortantes (Sharp Objects - Gillian Flynn), Camille Preaker (Amy Adams) é uma repórter mandada pelo seu editor a sua cidade natal para cobrir ações de um provável serial killer. Com isso, Camille se vê obrigada a voltar para Wind Gap, lugar responsável por suas memórias traumáticas, tendo que lidar com sua família e toda as histórias que decidiu deixar para trás.

Trata-se de uma série (baseada no livro) e que se desenvolve lentamente; uma trama que exige calma e que seus personagens sejam bem desenvolvidos na tela para funcionar, além é claro, da necessidade de as peculiaridades da cidade serem bem observadas por quem assiste. Com isso, a série flutua além da simples investigação dos crimes, que funcionam mais como um plano de fundo para o que realmente importa: os moradores de Wind Gap. Com suas cenas entrecortadas entre o presente e o passado de Camille, a trama vai nos revelando a realidade perturbadora da personagem central, além dos detalhes sobre os crimes e do provável assassino.


Objetos Cortantes é, antes de qualquer coisa, uma série sobre 3 mulheres distintas: Camille, que em sua tentativa de desvendar os assassinatos das duas garotinhas, se vê imersa na realidade cruel que a levou ao declínio anteriormente, tendo que lidar com a mãe, sua irmã mais nova e sua vida dupla, além do seu omisso padrasto, Alan e, principalmente, com sua irmã morta, Marian. A personagem de Amy Adamas é alcoólatra e costumava se automutilar, tendo uma gama de palavras gravadas em sua pele. Revelando o ambiente tóxico no qual foi criada. 

Adora: A mãe de Camille, vivida magistralmente por Patricia Clarkson, é uma das personagens mais complexas e aterrorizantes, sua relação com as filhas e o seu marido nos leva a entender perfeitamente a situação de Camille e seus problemas psicológicos. Adora parece descontar todas as suas questões na filha mais velha, reprimindo-a constantemente e a envergonhando de todas as formas possíveis. Não por acaso Camille carrega toda essa carga emocional, lidar com Adora e sua condição psíquica é amedrontador. Entender o seu papel na morte de sua filha Marian, e sua função na vida de Amma, deixa claro o quanto ser criada por essa mulher foi devastador para Camille. Nenhuma das filhas passou imune ao comportamento doentio da mãe. 

Nesse contexto, conhecemos Amma Crellin (Eliza Scanlen), a filha mais nova de Adora e meia-irmã de Camille, apresenta um comportamento manipulador e impulsivo; e logo se torna perceptível que a vida dos pais gira em torno de suas vontades, assim como suas amizades. A própria Wind Gap gira ao redor da filha mais nova de Adora. Determinante, nesse contexto, é perceber a relação entre mãe e filha, já que da mesma forma que Adora pensa que controla a filha, é constantemente controlada pelo seu comportamento dissimulado e dependente dos cuidados maternos. Quando em cena, a personagem está sempre provocando e instigando, além de não sentir medo de nada, tampouco do assassino que vitimiza meninas de sua idade. Levantando questionamentos sobre sua participação ou não na morte das garotinhas.

Certo é que o comportamento doentio de Adora condenou as 3 filhas a destinos horríveis. Nenhuma passou ilesa a condição da mãe. Além da excelente fotografia e trilha sonora, Objetos Cortantes se mostra uma série em que nada está em cena por acaso. A trama é totalmente fechada e o final trás duas cenas pós-crédito reveladoras. Desde o nome dos episódios, ao assassino sendo revelado gradativamente através de pequenos detalhes e ações. Não há coincidências em Wind Gap.

E, por favor, alguém dê um Emmy a Amy Adams!


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