Crítica: Sob As Sombras (2016)


por Marina Mayrinck

Escrito e dirigido pelo estreante e promissor Babak Anvari, Under The Shadow se passa no final da década de 80, pautado no conflito entre Irã e Iraque, em meio aos bombardeios, no Oriente médio. Neste contexto, uma família de classe média tenta viver fora das novas restrições (Shideh, a protagonista, é uma fã de fitas de aeróbica  da Jane Fonda, um ícone pop real da década). O conflito se intensifica quando o pai, que é  médico, está destinado a  trabalhar em uma zona de conflito, fazendo com o que a mãe  (que teve que abrir mão de sua formação, também em medicina) fique sozinha com a filha pequena em um bloco de apartamentos, que está sendo gradualmente abandonado pelos seus habitantes, em decorrência dos bombardeios. A criança  então, começa a fazer contato com presenças estranhas, que se tornam cada vez mais agressivas.


Tendo uma história real como base, a transição para o terror ficcional foi entrelaçada ao drama,  fazendo com que o roteiro possa ser interpretado em duas esferas: a do sobrenatural, e a do terror psicológico de guerra. Basicamente o filme nos coloca em uma situação de terror real para que, quando o terror do imaginário venha, o caminho já esteja preparado, e a gente já esteja completamente vidrado na história. Dessa forma, o diretor conseguiu, brilhantemente, manter um clima de tensão e um cenário de ansiedade até o final da trama. Isso faz com que a gente se pergunte o tempo todo até que ponto tudo aquilo pode ser parte da paranoia da protagonista, o que funciona muito bem. 


A atriz Narges Rashidi é a protagonista do filme, contracenando com a estreante, Avin Manshadi. Ambas fazem basicamente os personagens centrais do filme, afinal o elenco é bem limitado. No que que diz respeito a atuação, Rashidi não deixa a desejar, e muito me surpreendeu, visto que a única vez que eu havia notado a atriz foi em um pequeno papel na sci-fi Æon Flux. A dupla realmente convence e ganha o espectador, Anvari fez um boa escolha em coloca-las nesses papéis. O que decepciona um pouco, é que ao retratar a esfera do sobrenatural, a complexidade do roteiro, o torna um tanto quanto confuso. Ao terminar o filme, as coisas carecem de fazer um pouco de sentido. Apesar disso, o filme é extremamente competente, e foge dos habituais filmes de horror, afinal convenhamos, quando foi que você assistiu um outro filme de horror iraniano? Vale a pena conferir.



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